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Histórico de Aeroclube

O AEROCLUBE DE NOVO HAMBURGO, Idealizado por um grupo de aviadores hamburguenses, brevetados pelo antigo Aeroclube da vila Scharlau, teve sua fundação no dia 29 de janeiro de 1947. Ao longo destes 60 anos brevetou e lançou no mercado de trabalho centenas de pilotos em varias modalidades profissionais, fazendo com que construísse e solidificasse um excelente conceito como entidade formadora de profissionais da aviação junto a comunidade aeronáutica Brasileira.



Sempre contando com o apoio e colaboração da comunidade Hamburguense, se estabeleceu no bairro Canudos em terras situadas na divisa com o município de Campo Bom onde se encontra sua sede operacional até hoje, com uma pista de 1200 metros x 80 de largura e uma ampla sede operacional com 7 hangares e um restaurante.

A primeira aeronave, um CAP-4 de prefixo PP-HET, foi recebida do DAC em 10 de agosto de 1947 cuja festa de batismo foi no Aeroclube do Rio Grande do Sul, juntamente com mais 12 aviões. O funcionamento do Aeroclube foi autorizado pelo DAC em 03 de outubro de 1947.
A segunda aeronave , um PIPER PA-12 de prefixo PP-DIN, foi adquirida em outubro de 1947, mediante empréstimo em diversos bancos da cidade, resgatado pelos pilotos, alunos e diversos sócios. Com esta aeronave o Aeroclube participou de uma revoada na cidade de Mello, no Uruguay.
Inicialmente, as aeronaves do clube estavam hangaradas em São Leopoldo e Canoas, por especial gentileza dos aeroclubes daquelas cidades.

A terceira aeronave, outro CAP-4 de prefixo PP-HFS, foi recebida do DAC em 26 de abril de 1948.
A inauguração oficial do hangar, batizado com o nome de “OSCAR JUNG”, em homenagem póstuma a um dos maiores batalhadores pela sua construção, ocorreu em 26 de julho de 1948 e que culminou com um grande baile na principal sociedade de Novo Hamburgo. Nestes festejos se fizeram presentes altas autoridades do DAC da quinta zona aérea, pilotos de diversos Aeroclubes do Estado, de Santa Catarina Paraná e São Paulo, bem como uma delegação da Republica Oriental do Uruguay.
Em 13 de setembro de 1948, foi oficializado o funcionamento da escola de pilotagem elementar do Aeroclube de Novo Hamburgo.

Em novembro de 1948 fomos contemplados com a quarta aeronave, um LUSCOMBE SILVAIRE de prefixo PP-DSM batizado de “COLONO” doado através de uma campanha encabeçada pelo então Deputado Dr. Wolfram Metzler.
Participamos da revoada feita aos Aeroclubes de Erechim e Julio de Castilhos em fins de 1949 com nossas três aeronaves.

Em 24 de agosto de 1949, foi formada a primeira turma de pilotos, constituída de 5 brevetados.
Em agosto de 1949 recebemos a quinta aeronave, mais um CAP-4 de prefixo PP-HJB.
Participamos da revoada feita a FLORIDA no URUGUAY em outubro de 1949, quando homenageamos a viúva dos saudoso presidente Uruguaio, Dom Tomas Berreta, com cujo nome foi batizado a aeronave PP-HET.

Também em 1949, participamos com o Luscombe e um CAP-4 de uma revoada ao Rio de Janeiro.
Em 16 de junho de 1951 foi realizado o baile de formatura da 3terceira e quarta Tuma de brevetados com a presença do Sr. Governador do Estado alem de autoridades civis e militares.
Em 21 de junho de 1951, foi doada pela Industria de Borrachas Borbonite S/A a aeronave AUSTER AUTOCRAFT de prefixo PT-ADI.

Em 16 de agosto de 1951, recebemos do DAC a aeronave PIPER PA-18 de prefixo PP-GKX.
Em abril de 1952, nosso hangar teve um aumento em alvenaria e a entidade nesta ocasião era composta de 471 sócios. E participamos com toda a nossa frota da revoada à Buenos Aires na Argentina.

Em 17 de outubro de 1953, recebemos do DAC a aeronave PIPER PA-20 de prefixo PP-GPH de quatro lugares. Este aeronave foi entregue no Rio de Janeiro sendo transladada da capital federal até Novo Hamburgo pelos pilotos Hamburguenses, Ieddo Becker e Egon Scheffel.
Nesta época o Clube de Planadores Albatroz estava sediado em nosso aeródromo, onde operou por muitos anos, usando nossas instalações.
Em 1954, foi feito o nivelamento e aumento de nossa pista que passou a ter então 100 metros de comprimento.

Formamos nossa décima turma em 21 de abril de 1956.
Participamos da revoada da cidade de Ijuí em 20 de outubro de 1956 com sete aviões.
Em março de 1957, nossa aeronave AUSTER PT-ADI participou de uma revoada para Punta Del Leste no Uruguay.

Finalmente em Dezembro de 1960, conseguimos energia elétrica para nossa sede, pois até então funcionávamos com gerador próprio.

Em junho de 1961, recebemos do DAC a aeronave NEIVA P-56C de prefixo PP-GVM.
Nesta época nossa comunicação telefônica funcionava através de uma extensão construída pelo clube até a casa comercial do sr Oscar Horn, que com sua colaboração, servia de intermediário nos recados telefônicos. A casa comercial distava cerca de 4 km do Aeroclube.
Em novembro de 1963, o infortúnio abateu-se em nosso Aeroclube. Num lindo dia de sábado os pilotos Lindmayer e Kraemer, perderam a vida em um trágico acidente com o CAP-4 PP-HJB em um stol na cabeceira 20. O aeroclube ficou 30 dias de luto, sem nenhuma operação em homenagem a seus saudosos mártires.
As atividades seguiram dentro do possível, pois a tragédia que se abateu sobre nossa entidade foi difícil de ser assimilado, fazendo inclusive que muitos jovens viessem a se afastar do vôo, traumatizados pelo acidente que presenciaram.

Em 1964, com a chegada da revolução, viu-se todos os recursos e apoio governamental dado ao desenvolvimento da Aviação Civil, ser retirado bruscamente, fazendo com que a grande maioria dos aeroclubes viessem a cerrar suas portas, e aos que conseguiram se manter, o fizeram com muita dificuldade e sacrifícios de seus diretores e associados, não sendo diferente com o Aeroclube de Novo Hamburgo.

Com a ida do Albatroz em definitivo para Osório, onde neste local, muito apropriado para o desenvolvimento da pratica de Vôo a Vela, se desenvolveu de forma a transformar-se numa grande escola de Volovelismo, o nosso clube ficou desfalcado desta modalidade de vôo. Então, com o apoio do Presidente na época, sr. Harro Schmidt, o engenheiro Alemão Kuno Widmaier projetou e construiu o protótipo do planador Quero-Quero, inicialmente para termos um planador em nossa entidade. O sucesso desta maquina foi tão grande, que anos depois foi escolhida pelo DAC para ser construído em série e equipar todos os aeroclubes do Brasil.Este protótipo realizou seu primeiro vôo com o prefixo inicial de PP-ZPE pilotado pelo seu criador Kuno Widmaier em 18 de dezembro de 1969.Posteriormente, em homenagem à nossa emprendedora cidade, este planador obteve do RAB O prefixo PP_ZNH. Atualmente, encontra-se fora de vôo, mas conservado e exposto ao publico no MODEL CIRCUS de Canela aos cuidados do Cmte. Marcio Pinto Ribeiro.
Em janeiro de 1970 este protótipo participou do XV Campeonato Brasileiro de Vôo a Vela como participante..

Em abril de 1970, tivemos homologada nossa oficina de manutenção.
Em 1973, recebemos do DAC, redistribuído do Aeroclube do Rio Grande do Sul, uma aeronave FAIRCHILD PT-19 de prefixo PT-GUE. Interessante ressaltar que parte da diretoria, mais conservadora, era cética em relação a aquisição desta aeronave devido ao alto consumo e conseqüente custo na hora de vôo. Um grupo de diretores se deslocaram para “ dar uma olhada” na aeronave. Lá chegando, o Régis Schamann pediu que ao menos queria dar uma “voltinha” na nave e falou para o instrutor Roberto acompanhá-lo no vôo. Decolaram e rumaram direto para Novo Hamburgo, onde o Gilberto Fick já os aguardava com o hangar aberto, pronto para abrigar o novo pássaro. Depois foi só telefonar para o Bertilo e o Harro virem pra casa, pois o impasse já estava resolvido. Foi um sucesso, nunca um avião fazia tantos vôos ao fim de semana, até porque o Presidente Harro autorizou uma passagem baixa na pista ao fim de cada vôo, com direito a uma “americana”.

Foi uma época em que muitos pilotos formados aqui, abraçaram a carreira de piloto agrícola, sendo os pioneiros e posterior incentivadores da turma, o Luisinho e o Reimann.
Em julho de 1973, o aeroclube participou da Gincana em comemoração do Sesquicentenário da Imigração Alemã, com a EQUIPETECO, conseguindo o segundo lugar, sendo premiado com uma moto Girella de fabricação Argentina sendo montada em Novo Hamburgo pela Metalúrgica Capra. Esta moto foi sorteada e com o dinheiro arrecadado, mais o valor da venda do Luscombe, demos entrada para a compra do CESSNA 172 de prefixo PT-JME.

Esta aeronave, adquirida zero hora, foi transladada de Wichita no Kansas EUA, até Novo Hamburgo pelo então presidente Harro Schmidt e o instrutor Victor Hugo Matte numa viagem tranqüila e maravilhosa, atestando o alto grau de proficiência de nossa entidade no preparo de seus aviadores.
A partir de então, varias empresas Hamburguenses ligadas ao comercio exterior, utilizava esta aeronave para vôos quase que diários entre Novo Hamburgo e Caçador e outras localidades para onde se expandia as industrias calçadistas. Muitos vôos também, foram realizados para o Mato Grosso, quando empresários para lá se deslocavam em busca de terras para investimentos fora da área calçadista.

Num destes primeiros vôos, tendo no comando o Piloto Julio Schaeffer, próximo a localidade de Videira, em função do mau tempo reinante, teve que efetuar um pouso numa estrada em construção. Uma aventura com americanos a bordo que teve um final feliz graças a habilidade e frieza do Julio.
A maioria destes vôos foi realizado pelo brilhante aviador José Ieddo Becker.
Em janeiro de 1975, no XVI campeonato de vôo a vela, o Kuno Widmaier conquistou com o PP-ZPE o primeiro lugar na sua categoria.
Em fevereiro de 1975, vimos concretizada a construção por nossa entidade o projeto do Biguá modelo KW-2 de prefixo PP-ZPY posteriormente modificado para PP-ZKW em homenagem póstuma a seu idealizador Kuno Widmaier.
Em junho de 1975, adquirimos uma aeronave CARDINAL CESSNA 177-B contando na ocasião com apenas 700 horas de vôo.
Nossa escola de planadores foi autorizada a funcionar em 29 de março de 1976 para o que recebemos do DAC a aeronave QUERO-QUERO de prefixo PT-ZPE.
Em setembro de 1976 fundamos o departamento de paraquedismo com a sigla PARASINOS.
Em 1978, novamente a tragédia abateu-se sobre nós com dois episódios tristes. O primeiro com a morte em acidente de transito do inestimável Kuno Widmaier, uma grande perda para o Vôo a Vela do Brasil. O segundo, o acidente do FAIRCHILD PT-19 PP-GUE , ceifando a vida do jovem instrutor Wilson Cafruni. Após uma pane de motor, Cafruni tentou o pouso na pista de Sapiranga, vendo que não conseguiria alcançá-la, mudou bruscamente de rumo tentando o pouso numa estrada, vindo a estolar e cair de nariz. Cafruni teve morte instantânea e o aluno ferimentos leves e fratura do joelho.
Os vôos para empresas continuaram por um longo tempo, paralelamente a formação de pilotos e o incremento de novos cursos que eram oferecidos a medida que novos conceitos e exigências aconteciam na aviação mundial. A aquisição de novas aeronaves teve um período de estagnação pela absoluta falta de incentivos à aviação civil durante o regime militar. Mais Aeroclubes encerraram suas atividades, na nossa região, Sapiranga teve suas aeronaves redistribuídas para outras entidades, Montenegro teve suas portas fechadas, por aqui mantínhamos as atividades com muito trabalho e dedicação de nossos dirigentes na época.
Quando da abertura política do Brasil, com a entrega da Presidência para um civil, as coisas começaram a ter novos rumos para a aviação. No governo Sarney houve a aquisição dos Aero Boeros junto ao pais vizinho, numa aquisição bastante discutida, porém eram aeronaves novas e de certa forma bem atualizadas à nossa realidade, pois ainda formávamos pilotos em velhos e cansados PAULISTINHAS CAP-4 já com quase 40 anos de uso.
Porém, com exceção do Aeroclube de São Leopoldo e do Rio Grande do Sul, os Boeros cruzavam por aqui e seguiam direto para o norte e nordeste. Para nós ficava somente a promessa de receber um Boerinho. fomos informados pelo Serac-5 que a decisão era política. Dirigiu-se então, o presidente Anildo Fernandes até a Assembléia do Estado e em contato com o Deputado Nestor Fips Schneider, e obteve todo o empenho pessoal dele para conseguir a vinda de uma aeronave Boero para o Aeroclube de Novo Hamburgo. Um mês depois pousava em nosso aeródromo o AB-115 de prefixo PP-FKZ inaugurando uma nova era na formação elementar de pilotos privados e comerciais, pois eram aeronaves equipadas com rádio e partida elétrica, deixando no passado o acionamento manual do motor pela hélice....