ROBERTO PAULO SAILE
SAILE como sempre foi chamado, desde cedo exercia atividades aéreas com aeromodelos, onde se destacou por sua pericia entre a gurizada. Dono de um espirito alegre e brincalhão, fez muitas amizades no meio aeronáutico Hamburguense. Formou-se piloto privado em 1966 mostrando a partir de então muita capacidade para a aviação. Ministrou instrução por um bom tempo, sendo responsavel pela formação de muitos pilotos na época. Deixou seu legado participando em varias diretorias, tendo tornado-se presidente e vice presidente em varias ocasões. Preferiu não seguir profissionalmente a carreira de aviador, ficando na administração da empresa da familia. Com certeza, a aviação Brasileira perdeu muito com esta decisão do SAILE...

ROBERTO KIRCHNER
Formado piloto privado no final da decada de 60 no Aeroclube de Novo Hamburgo, imediatamente e com menos de 100 horas de vôo, iniciou a ministrar instrução preenchendo a vaga deixada pelo Instrutor Alberto Segura Lopes que havia desistido da profissão. Havia uma carencia de instrutores, fazendo com que a direção opta-se em nomear o Roberto para a função e seus vôos serem validados pela assinatura do Vitor Matte. Destacou-se por sua responsabilidade, coerência e competência no exercicio da função de instrutor de vôo. Parelamente formou-se então Piloto Comercial e Instrutor de vôo no CFI do Aeroclube de São Leopoldo. Após deixar a instrução do Aeroclube foi voar Taxi Aéreo em Curitiba onde novamente destacou-se profissionalmente, voando na RETA e em aeronaves particulares. Posteriormente partiu para a aviação agricola onde por muitos anos trabalhou emarrozais de Uruguaiana na fronteira do Rio Grande do Sul.

KUNO WIDMAIER
Com certeza o Kuno Widmaier se não tivesse nos deixado precocemente, seria a maior personalidade Brasileira do Vôo a Vela. Piloto de planador formado antes da segunda guerra, quando a Alemanha as escondidas formou um batalhão de milhares de aviadores de planador, para se tornarem a espinha dorsal da Poderosa Luftwafe, a força aérea alemã. O Kuno foi designado para um esquadrão de planadores de transporte de tropas. Entre tantas estorias que nos contava, destaco uma em que ele estava em treinamento noturno, com um JU-52 rebocando 3 enormes planadores de assalto, quando deu uma Pane no JU-52, tendo eles que desligar de noite sobre os Alpes....pepino hein...? O Kuno ia desviando as sombras das montanhas esgueirando-se pelo vale. Seu copiloto a cada 50 metros cantava a altitude...quando chegaram a 50 metros o copiloto ia cantando a cada dez metros...: " 5o metros Kuno....40 metros Kuno.....30 metros kuno.....20 metros kuno.....10 metros Kuno......0 metros Kuno.....10 abaixo de zero Kuno...e assim foi ate no pré stol pousarem numa roça de milho.... Esta reliquia de pessoa fez parte do dia a dia de nosso aeroclube, pois quando terminou a Guerra, ele enviou carta para diversas partes do mundo se oferecendo como engenheiro, porem ele precisava saber se na cidade havia clubes de planador. Quem respondeu a carta que ele enviou para Novo Hamburgo foi o Harro Schmit presidente do nosso aeroclube então, e o convidou para vir para cá, pois aqui havia planadores. Até seu falecimento, o Harro foi o seu grande amigo e incentivador no projeto e construção do prototipo do quero-quero e Biguá.O Kuno sagrou-se vencedor na categoria do Quero-Quero em todos os campeonatos brasileiros que participou, inclusive numa etapa do Brasileiro em Passo Fundo em 1976, ele concorria contra um prototipo de planador chamado de MARREQUINHA que tinha pouca envergadura (+- 12 m), chamado numa palestra para defender o seu projeto, pois dali sairia o escolhido para ser fabricado em série a pedido do DAC, o projetista do MARREQUINHA disse que havia feito uma pesquisa e que 70 % dos aeroclubes do Brasil tinha hangares com 15 metros de porta frontal, então ele projetou com uma envergadura de 12 metros para todos poderem ser abrigados nos hangares...depois chamaram o Kuno para defender o Quero Quero, Kuno na sua timidez e humildade subiu o palco e disse...: " eu projetei um planador para voar bem e não pra ficar dentro de hangar"....a platéia veio abaixo e o Quero Quero se consagrou como o grande projeto que equipa os aeroclubes por mais de 30 anos...Um dia ao fazer exame de sangue no laboratorio do Dr. Porto, a enfermeira que lhe tirava o sangue despertou no coração do Kuno um sentimento que evoluiu, fazendo com que o Kuno viesse a sorrir novamente como um gurizinho....passavamos a ver a Belina verde dele encostada na estradinha do Heldt perto da cabeceira 20 e ele namorando (comportado) aquela que lhe daria um casal de filhos brasileiros.....numa triste manha de 1978, Kuno acidentou-se de moto indo para o trabalho nas Maquinas Klein em Hamburgo Velho.....foi conversando para o Hospital Regina, mas as 11 da manha uma trombose cerebral, causa da batida com a cabeça, levou do nosso convivio este icone do vôo a vela Brasileiro....

AVIADOR ALDO SCHRAM
ALDO desde os primeiros passos do Aeroclube, esteve presente como grande colaborador e aviador formado nas primeiras levas de alunos. Foi uma aviador bastante ativo na década de 50, tendo passado por uma provação muito grande , quando estava a bordo de um CURTISS C-46 da VASP que acidentou-se numa aproximação por instrumentos em Curitiba no ano de 1958, sendo ele o único sobrevivente desta tragédia. Marcas muito profundas do ocorrido marcaram sua vida, fazendo com que se afastasse do vôo por um longo período, mas nunca deixando de ser um profícuo colaborador sempre que lhe fosse solicitado. Lá pelos anos 80, ALDO voltou a ser um assíduo integrante da diretoria, vindo a assumir a presidência em 1985, numa época de grandes desafios, os quais superou com grande competência e dedicação. Tinha uma postura política muito positiva junto ao DAC, tendo nesta época, recebido a distinção da Medalha de Honra ao Mérito Santos Dumont, pela sua dedicação à causa da Aviação Civil. Grande amigo e compadre do IEDO BECKER, estava na companhia deste quando do acidente que vitimou a ambos. Com certeza, uma perda irreparável à sociedade aeronáutica Hamburguesa. Partiu, mas deixou duas sementes que já haviam brotado e acabaram tornando-se dois grandes profissionais da Aviação, o FABIO SCHRAM mecânico de aeronaves, muito conceituado na Aviação Geral e Agricola e o MARCOS SCHRAM comandante da aviação comercial, hoje voando na Empresa WEBJET, com certeza, ambos motivo de orgulho para o ALDO que os observa com carinho e muito orgulho no peito.

INSTRUTOR JOSE IEDO BECKER
Com certeza uma das pessoas mais carismaticas que passou pelo aeroclube de Novo Hamburgo, instrutor que mais tempo esteve em atividade, sempre respeitado pelos seus formandos, IEDO deixou uma história de muito brilhantismo, dedicação, extrema competência e profissionalismo nos seus anos de Aeroclube.Impossivel desassociar seu nome da entidade, pois foram longos anos de amor e dedicação como instrutor e secretário . Aviador requintado, extremamente técnico, com uma didádica de ensino invejável, tinha como caracteristica a calma o carinho e a humildade que fazia com que fosse estimado por todos os seus contemporâneos. Depois de deixar a instrução do Aeroclube, esteve um tempo fora da atividade aeronáutica, retornando anos depois para mais um longo período de dedicação, onde novamente emprestou sua experiência a uma nobre causa, ajudar com sua pilotagem refinada e segura, ao Aeroclube saldar os compromissos financeiros assumidos para a aquisição das duas aeronaves CESSNA nos anos 70. Foram milhares de horas de vôo realizadas com empresários da região em vôos fretados para todo o Brasil. Sabemos que deixou nosso convívio com a certeza que foi da forma que mais desejava que o fosse, singrando os céus do vale dos sinos em um derradeiro vôo na companhia de seu inestimável Compadre e amigo, Aldo Schram.

WALBURG SCHEFFEL
Walburg Scheffel foi patrocinador do Aeroclubde de Novo Hamburgo

OSCAR JUNG
Oscar Jung, foi patrocinador e grande incentivador do Aeroclube de Novo Hamburgo. Até hoje o Hangar principal leva seu nome.

OSCAR ADAMS
Oscar Adams foi patrocinador do Aeroclube de Novo Hamburgo. Na garagem de sua casa foi lavrada a primeira ata de assembleia.

LUIS DOERR
Luis Doerr foi patrocinador do Aeroclube de Novo Hamburgo

IVO HACK
Ivo Hack foi patrocinador do Aeroclube de Novo Hamburgo

GUILHERME LUDwIG
Guilerme Ludwig foi patrocinador do Aeroclube de Novo Hamburgo

ALBERTO SEGURA LOPES
SEGURA como era chamado, foi instrutor do Aeroclube na decada de 60 ate inicio de 70, quando mais precisamente em novembro de 1971 parou de ministrar instrução e tambem de voar, pois nao quis se submeter a um recheque de suas habilidades, que eram infinitas,a um checador do DAC para reabilitar sua credencial de instrutor. Inclusive rasgou o documento e entregou ao examinador que estava ali para checa-lo. Era um grande aviador, figura insólita por suas teorias filosóficas e com muita vivencia no vôo. Foi responsável por uma safra de grandes aviadores que seguiram carreira na aviação comercial e agricola.

ADOLFO JAEGER
Adolfo Jaeger foi um dos patrocinadores do Aero CLube de Novo Hamburgo

BAYARD DE TOLEDO MERCIO
Os maiores méritos do Aeroclube existir são de Bayard Toledo Mércio. Ele veio a NH com o brevê de piloto de planador. Em certo momento se indispôs com o aeroclube de SL e incentivou o Egon Scheffel e Pedro Adams a fundarem um aeroclube em NH. Orientou a procura de um campo de pouso, que Pedro saiu em busca e pousou no atual campo do clube. Aprovado o local, Egon Scheffel foi encarregado de conseguir patrocinadores e Bayard se encarregou dos trâmites legais, pois era juiz de Direito. Armando Koch, prefeito de Novo Hamburgo na época, facilitou a escavadeira de rolo compresssor com funcionários para aplainar o campo.

EGON SCHEFFEL
Foi o segundo presidente do Aeroclube de Novo Hamburgo, recebeu do Pedrinho Adams o cargo que de fato já o exercia pois o Pedrinho viajava muito e o Egon já cumpria as funções na ausencia deste. Presidiu a entidade por dez anos consecutivos. Neste periodo, o Aeroclube teve um impulso extraordinário fazendo com que solidificasse suas raizes com bastante profundidade no cenário aeronáutico Brasileiro. Praticamente consolidou a frota do Aeroclube, pois quando deixou o cargo, o aeroclube ja possuia em torno de dez aeronaves, praticamente uma por ano de gestão. Tinha uma predileção por voar no PP-GKX um PIPER PA-18 que recentemente teve seu nome como batismo. Já idoso, conta seu filho Oscar, que um dia ao sair do restaurante do Clube Aliança com seu pai, este olhou para cima, viu um teco teco sobrevoando o local, e com uma lagrima nos olhos lhe disse...: "sabe meu filho, os melhores anos de minha vida foi os que vivi no Aeroclube" Egon deixou uma história gravada com suor, trabalho e perseverança, e um legado que mais de cincoenta anos depois, ainda se faz presente no dia a dia da entidade.

PEDRO ADAMS NETO
PEDRINHO ADAMS como é conhecido, foi um dos idealizadores do Aeroclube. A primeira Assembleia foi realizada na garagem da casa de seu pai em 1947, onde a primeira ata de reunião foi lavrada. Posteriormente, Pedrinho com um Paulistinha de São Leopoldo, onde se brevetou, sobrevoou varias area de Novo Hamburgo a procura de um local para sediar a pista. A idéia inicial era nas margens da antiga BR-2 (hoje BR-116) na altura do que hoje é o bairro Rincão dos Ilhéus, mas Pedrinho achou o local com muitos morros na volta. Se dirigiu entao mais para leste de Novo HAmburgo e encontrou o local onde hoje se encontra o Aeroclube. Sobrevoou , gostou, e aterrisou, vindo a quebrar a bequilha da aeronave. Após conversar com pessoas locais, decolou convicto de que este seria um bom local, porem havia um problema, como explicar a bequilha quebrada que ja estava a bordo do avião. Para nao ter muito a explicar, ao chegar no Aeroclube da Scharlau, efetuou propositalmente um pouso placado e lançou a "rodinha"pela janela, caracterizando que a havia quebrado no pouso. Tomou um gancho, mas saiu dali feliz por ter encontrado este local onde hoje nos encontramos. Pedrinho era uma pessoa muito influente na sociedade e comunidade Aeronautica Brasileira. O ministro da Aeronautica Salgado Filho se hospedou em sua casa varias vees quando aqui estava de passagem. Devemos muito a esta personalidade que com muito trabalho com seus parceiros da epoca, tiraram de seus sonhos a realidade que hoje traz tantos beneficios aos jovens que aqui buscam a realização de seus....

BERTILO SCHNEIDER
Meu Pai, nasceu em 20 de Setembro de 1936, no interior de Nova Petrópolis, cidade de origem de seus pais. Cresceu e estudou em Novo Hamburgo, filho do Ferreiro Arthur Schneider (alias o que fez as ferragens das tesouras do hangar principal de SSNH, só olhar pra cima), onde cresceu conheceu o Aeroclube de Novo Hamburgo e casou com Therezinha e teve seus três filhos, Beatriz, Carlos e André. Quando trabalhava no Ciro Calçados, um dos filhos de seu Ciro resolveu fazer Aeroclube(como se falava na Época), o Pai também tinha muita vontade, mas não possuía dinheiro. Seu patrão na época, Círio Brenner o ajudou e possibilitou a realização de seu desejo de possuir o almejado Brevet. O pai sempre conta que iam de trem para o aeroclube, pegavam o mesmo aqui no centro e na curva que existia próximo a cabeceira 20 o trem diminuía muito a velocidade, neste momento eles saltavam do trem e prosseguiam a pé para o Aeroclube. O Instrutor responsável pelo seu Solo foi Iedo Becker (IN Memorian), na aeronave CAP 4 PP-HJB. O pai brevetou em ano que não sei dizer, e teve a licença PPR-04863. Ele sempre fala muito com saudades desta época, qdo o Aero nem luz elétrica possuía, apenas um gerador a gasolina que ficava na antiga Oficina, e que a autonomia após cortado o combustível permitia chegar na porta externa do hangar. Após o seu PP os anos passaram, perdeu amigos em acidente, viveu bons tempos do Aeroclube, e tempos difíceis, mas sempre esteve presente no Aeroclube por mais de 30 anos. Foi mecânico e tesoureiro do Aeroclube. Participou de revoadas para Montevidéu, Cruz Alta, tudo de Cap 4, imagina a aventura. Voou todos os aviões que o aeroclube teve até 1983, teve 2 acidentes com o Piper PA-20 PPGPH, uma parada de motor no AUSTER PT-ADI que gerou um episódio hilário, pois a bordo estava com ele meu bisavô que achava que porque Deus não deu asas ao homem, este deveria ficar no chão. Mas naquele dia de festa, o velhinho tomou alguns chopps criou coragem e foi voar, convencido pelo meu pai que voar(com ele) era a coisa mais segura do mundo. Quando sobrevoavam Morro Reuter, o motor do Auster começou a bater( soltou um cilindro) e o Bertilo cortou os magnetos e planou até uma área propicia a um pouso onde hoje é o clube Vila Rosa em Dois Irmãos. Com muita calma e pericia ele pousou sem dano algum, a não ser a tunda que o vô quis dar nele pelo susto e pela “mentira” de que voar naquela coisa era seguro. Nos seus mais de 30 anos de aviação sempre se dedicou ao Aeroclube de Novo Hamburgo, com muito afinco, me lembro que seus dias eram 7 por semana dedicados ao aero, e qdo chegava em casa tarde ainda fazia a parte contábil e organizava documentações. Conquistou amigos e inimigos com seu jeito seco de ser, admiradores e invejosos, mas sabemos que esta é a ordem normal das coisas em tudo que fizemos. Sempre foi muito correto e por isto não permitia que ninguém tirasse proveito do Aeroclube, motivo a mais de ter conquistado tantas inimizades. Acredito que talvez ele pudesse ter sido mais brando em algumas atitudes, mas bem ou mal enquanto ele manteve o aeroclube sobre seus olhares e as chaves no seu bolso, muitas coisas boas aconteceram, poucas sumiram e ainda hoje o aeroclube vive destes frutos, claro que devido a novas pessoas tomarem a ponta e fazerem como ele fazia, o que acreditam ser o melhor. Ele também foi piloto de planador PPL-02148, e participou com o Kuno dos projetos do Quero Quero e Biguá, ainda lembro como se fosse hoje ele chegando do Bacacheri com o biguá na barriga do Búfalo da Força Aérea. Segundo ele apenas não foi piloto comercial pq na época por ser menor de 21 anos necessitava da autorização de meu avô para ingressar na EVAER e o mesmo não permitiu devido as dificuldades financeiras da família na época. Em 1983 caiu de uma escada quando fazia manutenção nas calhas da oficina, (o aeroclube não podia gastar com um funileiro) onde teve fraturas que o colocaram 45 dias no hospital imóvel e mais 45 dias em casa de molho. Segundo alguns teria sido o peso das chaves que o derrubaram, brincadeiras a parte neste momento ele iniciou o seu afastamento do Aeroclube. Anos mais tarde em 1986 comecei a voar planador no Aeroclube, mas muito pouco ele participava, La esteve depois que me formei piloto pra fazer um vôo de planador comigo, alias único até hoje de planador. Após eu fazer meu PP e checar voei mais um tempo no aeroclube, quando em 1989 me afastei também. Fui voar em Montenegro onde ele começou a me acompanhar e em 1991 retomou os vôos, voando planador, e avião até o ano de 1996 quando por um problema cardíaco perdeu seu CCF. Mesmo sem CCF continuou colaborando com o Aeroclube de Montenegro onde ficamos até 1994 quando voltei ao Aeroclube de Novo Hamburgo e fui Presidente a pedido de amigos na época, por uma gestão e vice por outra. Em 1997 ainda fizemos uma bela festa para o Cinqüentenário do Aeroclube e após nos afastamos por definitivo, pois fui morar em Tapes e me dedicar ao vôo agrícola, Acho que o pai foi um grande idealista dentro da aviação romântica, mal compreendido por muitos, e admirado por outros, tendo feito o que ele sabia de melhor pela aviação mesmo que sacrificando sua vida em família para isto. Até Hoje ele olha para o céu procurando o dono do ronco do motor, tentando identificar o avião e se conhecer lembra de alguma história pra contar, apesar de praticamente não ir mais ao Aeroclube, tenho certeza que la ele esta em pensamento e lembrando dos velhos tempos que não voltarão mais, mas estão vivos em sua memória. ANDRE SCHNEIDER O Andre é o filho mais jovem do Bertilo. Na atualidade é Piloto agrícola com vasta experiência no ramo. Nas vezes que conversei com o Bertilo sobre o André, percebi o quanto inflava seu peito, com o orgulho deste filho aviador. O Bertilo era a pessoa que arranjava tempo pra fazer tudo pelo Aeroclube e o Calçados Ciro, em detrimento da família. Era o cara que não tinha tempo pra mais nada, mas arranjava tempo para mais alguma coisa como dizia o Harro Schmitt. Convivi com o Bertilo no Aeroclube de 1967 ate 1983 quando ele acidentou-se vindo a gerar seu afastamento. Foram 16 anos de convivência. Neste tempo, talvez por ter assistido as tragédias do HJB e do GUE, onde perdas de vidas valiosas ocorreram, o Bertilo tenha assumido uma postura muito disciplinadora, algumas vezes mal comprendida, pois não tinha meias palavras, ele ia direto na ferida. Confesso que com 18 anos de idade, cheio de vontade de tudo, teve momentos que tive “maus pensamentos”em relação aos seus xingamentos, mas hoje devo admitir que estas atitudes foram fundamentais para minha formação aeronáutica e que muito ajudou em minhas decisões nos momentos críticos que surgiram ao longo da minha vida profissional de aviador. Hoje como Presidente do Aeroclube, responsável por tudo o que acontece cada vez que uma aeronave alça vôo, meus pensamentos voltam no tempo e percebo as angustias que deveriam apertar seu coração, cada vez que eu e o Ledur saíamos com o PT-19 para mostrar o que pensávamos saber e que na realidade pouco sabíamos.....Obrigado Bertilo....devemos muito as suas intervenções disciplinadoras..... ALCEU MARIO FEIJO FILHO